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AIEA destaca excelência do IPEN no uso de tecnologia de radiação para preservação de bens culturais

 



Pesquisador Pablo Vásquez, responsável e coordenador do Irradiador Multipropósito de Cobalto-60 do CTR/IPEN, participará da "IAEA Technical Cooperation Conference", no tema “Applying nuclear solutions to industry — including the cultural industry”, em Viena, Áustria.

 

ipen foto irradiação

Escultura policromada atacada por insetos, já dentro da câmara do Irradiador Multipropósito para receber radiação gama

Foto: Ana Paula Freire /Ipen

     

O trabalho de preservação de acervos e bens culturais com a tecnologia de radiação gama utilizando Cobalto-60, realizado no Centro de Tecnologia das Radiações do IPEN, ganha destaque na IAEA Technical Cooperation Conference (Conferência de Cooperação Técnica da Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA), no período de 30 de maio a 1o de junho, em Viena, Áustria.

A AIEA divulgou a participação do IPEN no tema "Applying nuclear solutions to industry — including the cultural industry”  (Aplicação de soluções nucleares à indústria – incluindo a indústria cultural), salientando que essa atividade conseguiu unir conservacionistas de arte e cientistas nucleares, a priori "uma equipe improvável”. "Mas, no Brasil, esses especialistas uniram forças para aproveitar a tecnologia nuclear para preservar mais de 20 mil artefatos culturais”, diz o texto.

Para o  pesquisador Pablo Vásquez, responsável e coordenador do Irradiador Multipropósito de Cobalto-60 do CTR/IPEN, "a tecnologia de radiação tornou-se uma parte essencial do nosso processo de conservação". "Juntando esses dois mundos, estamos preservando nossa herança e descobrindo detalhes sobre o nosso passado de uma maneira que nunca tínhamos feito antes”, disse.

A parceria entre o IPEN e a AIEA existe há mais de 15 anos. Entre as peças tratadas pela tecnologia de radiação estão obras de artistas como Anatol Wladyslaw e Wassily Kandinsky, além de pintores brasileiros modernos como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Clóvis Graciano, Candido Portinari e Alfredo Volpi.

Pablo ressalta que essa tecnologia ajuda a proteger as peças dos efeitos do clima do país. "O problema no Brasil é o clima, a umidade e os desastres naturais. Temos uma quantidade maior de fungos e cupins do que outros países, e estes podem ser destrutivos para livros, pinturas, peças de madeira, móveis, esculturas e arte moderna”, explica o pesquisador. Por seu relevante trabalho, Pablo foi convidado para ministrar a palestra "Overview of Disinfection of Cultural Heritage Artefacts and Archive Materials by Ionizing radiation in Brazil: Culture meets Nuclear” no ICARTS 2017, além de ter sido escolhido como "Chairperson” da sessão para preservação de patrimônio cultural do evento.

Usar radiação gama é uma maneira muito menos invasiva de desinfetar peças se comparado a métodos convencionais, explicou Sunil Sabharwal, especialista em processamento de radiação na AIEA. "É uma alternativa melhor porque é feito à temperatura ambiente sem usar substâncias adicionais, ao contrário dos métodos convencionais de descontaminação que muitas vezes envolvem calor ou produtos químicos que podem alterar o material”. Pablo acrescenta: "Estamos protegendo de uma melhor forma o material e sem manusear o mesmo”.

 

 

Desvendando pistas escondidas nos artefatos 

 

A AIEA também destaca as descobertas  importantes em diferentes objetos, explicando que, antes de ser tratados, estes são muitas vezes analisados pela equipe mediante várias técnicas nucleares e convencionais, incluindo radiografia, fluorescência de raios X e difração de raios X (ver difração de raios X). Este processo descobre detalhes "escondidos”, como o tipo de pigmento ou metais que o artista usou. Isso ajuda a equipe a identificar o método de preservação mais adequado.

Foi assim, usando essas técnicas analíticas, que os cientistas puderam estudar uma tela pré-hispânica das coleções do Palácio do Governo do Estado de São Paulo. Eles tomaram medidas que os ajudaram a determinar o tipo de tinta que o artista usou e descobriram detalhes de como a peça de arte havia sido restaurada anteriormente. Eles também encontraram desenhos escondidos sob a pintura original.

 

 

Um centro de conhecimento

 

A AIEA reconhece que as décadas de experiência da equipe IPEN são a principal fonte de conhecimento para muitos especialistas na região e em todo o mundo. Menciona que, em 2016, os pesquisadores do Instituto estiveram envolvidos no primeiro curso de formação sobre este tema para peritos latino-americanos, organizado pela própria agência. 

O curso reuniu conservadores, restauradores, museólogos, bibliotecários, curadores e radiologistas de dez países da região para conhecer as diferentes aplicações das tecnologias de radiação no patrimônio cultural. "O IPEN agora tem uma longa lista de solicitações de suporte. Sua equipe trabalha em objetos de diferentes países e regularmente treina cientistas estrangeiros e especialistas no campo de bens culturais”, diz a AIEA.

Pablo Vásquez conta que um projeto interessante é a possibilidade de trazer, do Equador, para tratamento no IPEN três múmias que foram atacadas por insetos e fungos. A AIEA apoia este projeto com competências e formação. "Estou contente que especialistas e organizações internacionais estão colocando cada vez mais importância na preservação do patrimônio cultural, porque nosso patrimônio é o que representa a identidade da nossa ação. Devemos continuar a trabalhar para protegê-lo”, afirmou Pablo.

O texto da AIEA faz ainda uma breve descrição técnica do que é a Radiação Gama e a Difração de raios X (XRD). Para acessar o texto original, em inglês, neste link

 
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Ana Paula Freire, MTb 172-AM
da Assessoria de Comunicação Institucional do IPEN

 

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