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“Espaço de Memória” e workshop internacional marcam os 60 anos do IEA-R1, o primeiro reator nuclear de pesquisas do Brasil

ipen sala controle 1976

Entre as atrações do novo "museu", está a reconstituição da primeira mesa de operação, exibindo instrumentos originais,

inclusive as cadeiras utilizadas pelos primeiros operadores, como nesta foto original de 1976 (Foto: IPEN / Divulgação)

 

A inauguração do novo Espaço de Memória do Reator Nuclear IEA-R1, que vai contar a história do primeiro reator nuclear de pesquisas do Brasil – o IEA-R1, do IPEN – e o "International Workshop on Utilization of Research Reactors”, com a participação de pessoas que partilharam dessa trajetória, como os pesquisadores Shigueo Watanabe e Laercio Vinhas, são as grandes atrações da celebração dos 60 anos do IEA-R1. As comemorações se iniciam nesta terça-feira, 28, às 9h, com sessão solene no Auditório Rômulo Ribeiro Pieroni, do IPEN.

O novo Espaço de Memória do Reator Nuclear IEA-R1, que levará o nome do pesquisador Carlos Benedicto Ramos Parente, é, na verdade, um incremento ao que há havia, mas em uma instalação mais moderna e fora do prédio do Reator IEA-R1, que é uma área controlada. Essa era uma reivindicação antiga do pessoal que trabalha na proteção radiológica, segundo Frederico Genezini, gerente do Centro do Reator de Pesquisas (CRPq), onde está localizado o IEA-R1. "Fora da área ‘quente’ [controlada], será possível aos visitantes ficarem por mais tempo no museu, conhecendo a história, os detalhes do funcionamento”.

Genezini se refere à maior novidade do Espaço: a reconstituição da primeira mesa de operação, exibindo instrumentos originais, inclusive as cadeiras dos primeiros operadores. Os visitantes terão uma ideia de como o IEA-R1 era operado no final da década de 50, um acontecimento marcante para a época. O gerente do CRPq também comentou sobre a escolha do físico Carlos Benedicto Ramos Parente para dar nome ao museu: "Ele é o mais antigo pesquisador em atividade aqui no Centro e ainda não havia sido homenageado pela casa. Então, o pessoal da operação quis prestar essa merecida homenagem”.

Para Genezini, a trajetória do IEA-R1 é muito bonita e todo o IPEN deve se orgulhar dela, "pois ele foi ‘a semente’ desse instituto”. Há dois aspectos que serão evidenciados durante o workshop, segundo ele. O primeiro é que, mesmo com o enorme pioneirismo, todas as equipes que trabalharam operando e usando o IEA-R1 sempre primaram pela segurança, nunca sendo registrado nenhum acidente, o que é muito significativo em se tratando de um reator nuclear.

O outro aspecto apontado por Genezini é que, apesar dos seus 60 anos e de ser um dos reatores de pesquisa mais antigos em operação no mundo, o programa permanente de modernização, com forte apoio da direção do IPEN, mantém o reator em ótimas condições de uso. "Esse programa permite que o IEA-R1 continue dando sua contribuição para a sociedade com segurança, por pelo menos mais dez anos e preparando uma nova geração de operadores e cientistas para nosso futuro reator, o RMB [Reator Multipropósito Brasileiro]”, acrescenta.

 

 

Passado, presente e futuro

 

Para o primeiro dia do Workshop estão programadas três sessões: histórica – quando serão apresentados os primórdios do IEA-R1. Participarão os pesquisadores Laércio Vinhas, Rajendra Saxena eRoberto Frajndlich; atual - sobre a utilização de reatores de pesquisa nos dias atuais, essa será feita pelo chefe da seção de física da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Danas Ridikas; e futura – sobre as perspectivas com a entrada em operação do RMB, mencionado por Genezini.

O RMB é a mais importante iniciativa para a pesquisa nuclear no Brasil, na atualidade, e a apresentação desse mega projeto caberá ao coordenador técnico, José Augusto Perrotta. Também nesse primeiro dia haverá uma explanação sobre "Colaboração IEA-R1 – Universidade de São Paulo (USP)”, pelo professor Shigueo Watanabe, do Instituto de Física da USP.

O segundo dia das comemorações terá como foco a "segurança nuclear”, "um tema em evidência no mundo de hoje”, salienta Genezini. Estão programadas mesas-redondas enfatizando o tema "Desafios para a Segurança Nuclear em Reatores de Pesquisas”. Dentre os assuntos, "Natureza transnacional dos incidentes nucleares”, "Riscos, ameaças e conseqüências de segurança nuclear”, "Treinamento para pessoal de segurança nuclear em Reator de Pesquisas”. "Técnicas Analíticas Nucleares” e "Controle do material de fissão” (programação completa no link abaixo).

No terceiro e quarto dias, as sessões serão focadas nos usuários internos e externos do IEA-R1. "Proteção Física de Materiais e Instalações Nucleares Brasileiras: Desafios e Ações”, "Oportunidades de educação em segurança nuclear no Brasil”, "Análise por Ativação de Nêutrons em Arqueologia”,"Radiação de nêutrons aplicada à geocronologia: análise de trilha de fissão”, "O projeto ISOLDE no CERN - De um pequeno experimento a uma grande instalação” e "Difração de nêutrons” serão alguns dos temas apresentados.

"O workshop comemorativo de 60 anos da primeira operação do IEA-R1 é um evento muito importante, pois com ele homenageamos os nomes que fizeram esse empreendimento virar realidade e o conduziram com sucesso até aqui e motivamos as pessoas que estão hoje trabalhando nele a seguir adiante com a mesma qualidade. A sessão solene de abertura contará com a presença de pessoas importantes de nossa comunidade e autoridades ligadas à área nuclear, e o workshop terá importantes pesquisadores e parceiros nacionais e internacionais”, salientou Genezini.

O ministro de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, Gilberto Kassab, será representado por Paulo Roberto Pertusi, presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), à qual o IPEN está vinculado. Como palestrantes brasileiros, estão confirmados Edson Moreira, José Berretta e Frederico Genezini, do IPEN, Renato Tavares (CNEN), Luis Carlos Machado da Silva (ABACC), Eduardo Goes Neves (Museu de Arqueologia e Etnologia - MAE), Michel Bessa (TRACERCO), Elisabete A. N. Fernandes (Centro de Energia Nuclear na Agricultura/USP-Piracicaba - CENA).

Entre os participantes estrangeiros, além de Danas Ridikas, da AIEA, estão confirmados Togzhan Kassenove (Carnegie Endowment for International Peace), Craig Marianno (Texas A&M University), Patrick Lynch (Oak Ridge National Lab), Craig Moss (Oak Ridge National Laboratory - ORNL), Rita Plá (Comisión Nacional de Energía Atómica - CNEA), Heinz Haas e Juliana Schell (European Organization for Nuclear Research - CERN) e Jeffrey Lynn (National Institute for Standards and Technology - NIST). Haverá tradução simultânea para as apresentações em línguas estrangeiras.

 

Mais informações sobre o Workshop e a programação completa aqui

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