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INFORME CNEN - Listagem

Notícias INFORME CNEN Ano: 2009 / 3

Produção recorde de gerador de tecnécio no Ipen

Comunicação Ipen

Um dos principais produtos radioativos destinados à medicina nuclear produzidos pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), o gerador de tecnécio atingiu recorde de produção em março. Empregado no diagnóstico de tumores, funções renais, problemas pulmonares e hepáticos, o material é distribuído às sextas-feiras a mais de 300 clínicas e hospitais em todo o país. Na sexta-feira do dia 27 de março foram contabilizados 315 geradores comercializados, a maior quantidade distribuída desde o início da produção deste material.

O gerador de tecnécio é utilizado em mais de 85% dos exames na área de medicina nuclear. O tecnécio é produzido a partir do molibdênio-99, elemento obtido por meio de irradiações em reatores nucleares. A produção do molibdênio encontra-se em crise no mercado internacional. No início de março, houve um aumento no preço do molibdênio importado, que implicou em um reajuste de preços de quase 70% para as instituições médicas no país. Esse percentual poderia ter sido maior caso o Governo Federal não tivesse absorvido parte dos custos.

Em função dos avanços na área de medicina nuclear, a nacionalização de parte dos insumos para produção dos radiofármacos é fundamental, para que tenha segurança no fornecimento e economia de divisas para o país, explica Nilson Dias Vieira Junior, superintendente do Ipen. O instituto está envolvido no projeto de construção de um novo reator nuclear de pesquisas no Brasil – o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). O RMB está alinhado com os objetivos estratégicos e ações propostas no Plano de Ações de Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI 2007-2010) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e terá impacto na pesquisa, desenvolvimento e formação de recursos humanos.

Atualmente o país possui quatro reatores de pesquisa em operação, sendo que apenas o reator IEA-R1, localizado no Ipen, em São Paulo, possui capacidade de produção de radioisótopos e irradiação de materiais, embora limitadas. A vida útil deste reator é estimada em apenas mais 10 anos. Sem a entrada em operação de um novo reator, especialistas afirmam que a área de medicina nuclear - que contabiliza mais de três milhões de procedimentos médicos ao ano - seria fortemente afetada.

Estima-se que o instituto já tenha produzido mais de 250 mil geradores de tecnécio. No ano passado, 59% da produção foi enviada para a Região Sudeste, 17% para a Região Sul, 16% para o Nordeste, 7% para o Centro-Oeste e 1% para a Região Norte. O material tem atividades radioativas diferentes: de acordo com a necessidade do hospital são enviados geradores de 250, 500, 750, 1000, 1250, 1500 e 2000 miliCuries. O diretor de Radiofarmácia do Ipen, Jair Mengatti, afirma que a produção recorde foi “uma conquista importante, resultado de muito trabalho, competência e profissionalismo”. A produção dos geradores atende integralmente a demanda da classe médica nacional, dentro de rigorosos critérios de qualidade, atestada pela certificação na norma ISO 9001 versão 2001.

Este ano o Ipen completa 50 anos de produção dos radiofármacos e desde 1981 fabrica os geradores de tecnécio. Instituição de pesquisas vinculada à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão do MCT, “representa o serviço público de qualidade e regularidade, que investe em pesquisas e projetos de amplo alcance social”, afirma Vieira Junior. Segundo ele, um dos grandes desafios para o instituto e para a área nuclear como um todo é a renovação de seu quadro de servidores, altamente especializados.

Geraldo Alckmin visita o Ipen

Comunicação Ipen

O secretário de desenvolvimento do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, visitou, no dia 13 de abril, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). Desde que assumiu a pasta, em janeiro deste ano, foi a primeira visita oficial de Alckmin ao instituto, que é vinculado à secretaria e gerido técnica e administrativamente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Na ocasião, o secretário assistiu a apresentações sobre as atividades do instituto relacionadas à produção de radiofármacos, substâncias radioativas utilizadas no tratamento e diagnóstico de diversas doenças, como o câncer e problemas cardiovasculares. Atualmente são realizados 3,6 milhões de procedimentos por ano utilizando os radiofármacos. O superintendente do Ipen, Nilson Dias Vieira Junior, apresentou um panorama sobre a comercialização dos produtos, distribuídos a mais de 300 clínicas e hospitais em todo o país, com destaque para o FDG (flúor marcado com glicose) e o gerador de tecnécio.

Alckmin conheceu as instalações do novo acelerador de partículas cíclotron, onde ocorre a produção do flúor radioativo, insumo que depois é processado na área de radiofarmácia do Ipen, transformando-se no FDG. Atualmente, o instituto possui dois equipamentos cíclotron em operação. O último foi inaugurado em setembro do ano passado, visando alcançar maior capacidade de produção e trazendo maior confiabilidade. Médico por formação, o secretário lembrou que, com o aumento da expectativa de vida da população, cresce também a incidência de casos de câncer e problemas cardíacos. Potanto, os radiofármacos se tornam essenciais.

Cresce número de alunos no mestrado do IEN

Comunicação IEN

O curso de engenharia de reatores da pós-graduação do IEN está em expansão. Em 2009, foram preenchidas todas as 12 vagas oferecidas: cinco dos novos alunos são bolsistas CNEN, um é bolsista de projeto, um é funcionário da Aeronáutica, dois são alunos sem bolsa e três são professores do CEFET. “Estamos satisfeitos de ver o nosso esforço premiado com um número crescente de alunos e teses defendidas no programa”, afirma Reinaldo Jacques Jospin, coordenador de ensino do IEN pelo período 2008/2010.

Jospin credita esse crescimento à propaganda do curso feita pelos próprios alunos do mestrado, à divulgação na mídia do Programa Nuclear Brasileiro, que inclui a instalação de novas usinas e fábricas de combustível nuclear, e ao fato de instituições federais de ensino terem definido planos de carreira que valorizam a pós-graduação.

O coordenador adiantou que o IEN está solicitando à CAPES autorização para o funcionamento de um novo curso de engenharia dos reatores na modalidade mestrado acadêmico (o atual é profissionalizante) e outro de doutorado. Se a autorização for concedida, a turma de 2010 será selecionada para o curso acadêmico e o mestrado profissionalizante será extinto com o último aluno de 2009 a defender tese.

Pesquisadores do IEN dão início à participação na COBEN

Comunicação IEN

Os servidores Paulo Victor Carvalho, Isaac Luquetti, Marcos Santana e Cláudio Grecco, da Divisão de Instrumentação e Confiabilidade Humana (DICH), do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) estiveram no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) em março para fazer os levantamentos iniciais da instrumentação nuclear necessária à modernização da sala de controle do reator IEA-R1.

Foi o começo da participação do IEN na área de instrumentação nuclear da Cooperação Binacional de Energia Nuclear (COBEN), que também envolverá a modernização da sala de controle do reator RA-6 do Centro Atômico de Bariloche, na Argentina. Para esta área, a verba solicitada é de cerca de US$ 1,5 milhão.

A COBEN é um acordo amplo entre Brasil e Argentina na área de energia nuclear, que prevê, entre outras metas, a instalação de duas empresas binacionais, uma para enriquecer combustível nuclear e outra para projeto de reatores.

O acordo foi selado em maio de 2008, durante uma reunião em Foz do Iguaçu da qual participaram 75 pesquisadores do Brasil e 75 da Argentina. O coordenador brasileiro do projeto de instrumentação e controle da COBEN é o chefe da DICH, Paulo Victor Carvalho.

Pesquisadores do IEN participam do INCT de Reatores Inovadores

Comunicação IEN

“A intenção é sermos a fonte intelectual onde o Brasil poderá se apoiar para buscar um projeto de reatores inovadores.” Assim o pesquisador do IEN Paulo A. Berquó de Sampaio, vice-coordenador do recém-criado Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Reatores Nucleares Inovadores, sintetiza a razão de ser dessa nova instituição. Vão ser 2,24 milhões de reais em verbas dedicadas exclusivamente à pesquisa até 2011. “Esses recursos são, enfim, para que os pesquisadores fiquem menos preocupados em correr atrás de verba e possam se dedicar mais à pesquisa”, complementa Sampaio.

Os INCTs, criados pelo Ministério de Ciência e Tecnologia em novembro de 2008, são redes de pesquisa temáticas, espécies de “institutos virtuais” sem uma localização precisa, envolvendo pesquisadores e laboratórios de várias instituições. “A organização do trabalho é pelas linhas de pesquisa, que perpassam mais de uma instituição”, explica Sampaio.

Coordenado pelo professor da COPPE Aquilino Senra Martinez, o INCT de Reatores Inovadores compreende, além do IEN, outras três unidades da CNEN: o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) e o Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE). Participam também a COPPE, os departamentos de engenharia nuclear da UFPE e da UFMG, o IME, o Instituto Politécnico da UERJ e o Instituto de Matemática da UFRGS.

Sobre a importância dos reatores inovadores para o futuro, Sampaio comenta que “hoje identificamos três conceitos de reatores que terão impacto nas questões da sustentabilidade e da aceitação pública da energia nuclear”. Esses modelos, descreve, são os reatores a gás a alta temperatura VHTGR (very high temperature gas reactor), que produzem hidrogênio para uso veicular, os ADS (accelerator driven system), que transmutam rejeitos diminuindo sua meia-vida e radiotoxicidade, e os reatores regeneradores rápidos (fast breeder reactors), que transformam material fértil em material físsil, estendendo por séculos a possibilidade da utilização da energia nuclear.”

O IEN participará do INCT de Reatores Inovadores com suas competências em termohidráulica experimental e computacional, física de reatores, técnicas de inteligência artificial e realidade virtual. Entre os tipos de reatores inovadores, dará mais ênfase às pesquisas sobre o ADS e o VHTGR.

Junto com Sampaio, compõem o grupo do IEN nesse INCT Antônio Carlos Mól, Celso Marcelo F. Lapa, Cláudio Márcio N. Abreu Pereira, Maria de Lourdes Moreira e Rubens Souza dos Santos, todos professores da pós-graduação do IEN. A infraestrutura física do IEN que será compartilhada pelo INCT de Reatores Inovadores é composta pelos Laboratórios de Realidade Virtual, de Computação Paralela, de Termo-hidráulica Experimental e de Interface Homem-Sistema.

Brasil participa de esforço internacional para desenvolvimento da fusão nuclear

Comunicação CNEN

Um convênio entre o Brasil e a Comunidade Européia de Energia Atômica (Euratom), vai permitir que pesquisadores brasileiros participem do International Thermonuclear Experimental Reactor (ITER), esforço conjunto de diversos países para construção de um reator de fusão nuclear de grande porte. Através da Rede Nacional de Fusão (RNF), presidida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), o Brasil vem articulando os investimentos nacionais para o desenvolvimento desta tecnologia. Um laboratório destinado a pesquisas na área da fusão nuclear deverá ser construído na cidade de Cachoeira Paulista (SP) e fará parte da Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN.

As usinas nucleares atualmente em funcionamento geram calor através da fissão nuclear: divisão dos núcleos dos átomos em uma reação em cadeia. O calor aquece um sistema hidráulico, produzindo vapor que movimenta turbinas geradoras de eletricidade. É o caso das usinas Angra 1 e Angra 2, no Rio de Janeiro.

A fusão nuclear funciona de uma forma diferente. A geração de calor não se dá pela divisão, mas pela fusão de núcleos atômicos, principalmente dos elementos deutério e trítio. A intensidade de calor gerada é tão intensa quanto na fissão, com a vantagem de não produzir rejeitos radioativos de longa vida. Centrais nucleares de fusão poderão tornar-se elementos importantes no futuro panorama energético internacional, produzindo eletricidade diretamente ou através de uma cadeia baseada na utilização de hidrogênio e células de combustível.

Apontada como uma alternativa energética limpa e com capacidade de suprir grandes demandas de energia, a fusão nuclear controlada teve sua viabilidade demonstrada pela comunidade científica internacional na década de 90 com equipamentos denominados tokamaks. Os primeiros experimentos bem-sucedidos foram realizados na Europa, com o tokomak JET (Joint European Torus); e nos Estados Unidos, com o tokamak TFTR (Tokamak Fusion Test Reactor). Ambos baseiam-se em um dispositivo de confinamento magnético de plasmas termonucleares, originalmente concebido por cientistas russos.

No entanto, ainda são necessários vários aperfeiçoamentos técnicos que possibilitem seu uso como fonte energética. Os maiores avanços concentram-se no Projeto ITER, protótipo de reator de fusão nuclear que será construído na cidade de Cadarache, na França. O projeto é resultado de um programa de colaboração internacional que reúne Comunidade Européia, Suíça, Rússia, Japão, Estados Unidos, China, Coréia do Sul e Índia. A participação do Brasil vinha sendo analisada há algum tempo e esta foi uma das razões para a criação da RNF, em 2006.

Com a Rede a comunidade científica brasileira busca coordenar e ampliar atividades de pesquisa em fusão nuclear que há cerca de 30 anos são desenvolvidas por diferentes grupos no País. Está sendo possível também estabelecer prioridades e gerenciar as cooperações internacionais nesta área. Com isso, espera-se colaborar no Projeto ITER e desenvolver a capacitação científica e técnica necessárias para adotar a fusão nuclear no Brasil, caso venha a se tornar economicamente viável.

O convênio que o Brasil está elaborando com a Euratom prevê que o País concentre esforços na pesquisa de alguns pontos do projeto ITER. O secretário executivo da RNF e diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Ricardo Galvão, acredita que os pesquisadores brasileiros poderão colaborar principalmente com pesquisas referentes a sistemas de diagnóstico de plasma, desenvolvimento de materiais da primeira parede do reator e sistemas remotos de controle e aquisição de dados. Em contrapartida, o Brasil terá acesso a experimentos que reúnem o que há de mais avançado na área da fusão nuclear.

O Laboratório Nacional de Fusão Nuclear será fundamental para o desenvolvimento de pesquisas nacionais nesta área. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) já cedeu parte de sua área em Cachoeira Paulista a CNEN. A construção da nova unidade poderá começar já no próximo ano.


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