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Com Reator Multipropósito, Brasil terá autonomia na produção de radioisótopos

  • Publicado: Sexta, 19 de Agosto de 2016, 08h12
  • Última atualização em Sexta, 19 de Agosto de 2016, 08h14

Hoje, país importa os elementos ativos dos radiofármacos,

usados no diagnóstico e no tratamento do câncer.

Para coordenador do projeto,

RMB também vai ampliar a capacidade nacional em pesquisa e gerar recursos.

 

O Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) pode dar autonomia ao país na produção de radioisótopos e ampliar a capacidade nacional em pesquisa de técnicas nucleares, além de gerar recursos para o governo. Esses são alguns benefícios enumerados pelo coordenador do projeto na Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), José Augusto Perrotta, em apresentação a dirigentes e gestores do governo federal, nesta terça-feira (16), no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

O RMB é um reator nuclear de pesquisa e produção de radioisótopos – elementos ativos dos radiofármacos, que são empregados como agentes no diagnóstico e no tratamento de câncer e outras doenças. As aplicações se estendem à agricultura, indústria e meio ambiente. A cargo da Cnen, que é vinculada ao MCTIC, o empreendimento será construído em Iperó (SP) ao lado do Centro Experimental de Aramar, da Marinha, onde se desenvolve o protótipo do submarino nuclear brasileiro.

Perrotta explicou que, hoje, o Brasil importa radioisótopos para a produção de radiofármacos, utilizados na medicina nuclear. "Isso chega a mais de 400 clínicas, onde são realizados quase 2 milhões de procedimentos por ano, se considerarmos todas as aplicações. E o SUS [Sistema Único de Saúde] corresponde a 30% da demanda nacional. Nós importamos acima de US$ 15 milhões anuais e vendemos isso processado para as clínicas por cerca de R$ 120 milhões anuais. Ou seja, o RMB vem para suprir esses gastos de US$ 15 milhões e ainda existe a possibilidade de duplicar a quantidade de radiofármacos ofertada à sociedade. Quer dizer, o empreendimento vai faturar recursos financeiros, além da autonomia e da pesquisa. Ele se paga", disse.

Multipropósito

Como indicado em seu nome, o RMB tem múltiplas finalidades, agrupadas por Perrotta em três funções básicas, a começar pela produção de substâncias para a medicina nuclear. "Com o RMB, nós teríamos o fornecimento de toda a gama de radioisótopos produzidos em reator, seja para a saúde ou para aplicações industriais, como a gamagrafia, e também para usos gerais em meio ambiente e agricultura, por meio de traçadores nucleares", explicou.

A segunda função seria criar capacidade nacional para testar e qualificar materiais e combustíveis nucleares. "Isso geraria conhecimento e segurança em projetos com reatores de potência, tanto para geração de energia quanto para propulsão naval", apontou. "São testes fundamentais para quem desenvolve o ciclo tecnológico e fabrica esses produtos, como o Brasil."

Segundo Perrotta, o Reator Multipropósito facilitaria, ainda, a instalação de um laboratório nacional de pesquisas com feixes de nêutrons. "Seria uma espécie de complemento ao Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, o LNLS, em Campinas", afirmou. "Lá, eles trabalham com radiação eletromagnética, vinda de um acelerador de elétrons. E aqui [no RMB] a gente extrairia nêutrons para fazer a mesma análise de materiais, mas por outro caminho."

Implementação

Perrotta lembrou que o projeto básico de engenharia está pronto, e o empreendimento já possui licenças prévias do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear da Cnen. "Então, estamos dando prosseguimento agora, com o projeto de detalhamento, e caminhando para a licença seguinte, que permite a instalação e a construção da obra."

A Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Encti) de 2016 a 2019 cita o RMB como um dos projetos de pesquisa que colocarão o país na fronteira do conhecimento, ao lado do Sirius, anel de luz síncrotron do LNLS, ligado ao Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, e do Laboratório de Integração e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (LIT/Inpe), em São José dos Campos (SP).

 

FONTE: MCTI

 

 

 

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