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Avanços do RMB em 2019

  • Publicado: Terça, 14 de Janeiro de 2020, 12h44
  • Última atualização em Terça, 14 de Janeiro de 2020, 14h52

O ano de 2019 registrou importantes avanços no projeto do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). O empreendimento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) será construído em Iperó, no interior de São Paulo, e dará autonomia ao Brasil na produção de radioisótopos para diversas aplicações. As principais evoluções do projeto no ano passado foram elencadas pelo coordenador técnico do RMB, José Augusto Perrotta. “Não deixamos de trabalhar e tivemos importantes realizações a despeito de ainda não haver recursos para sua construção”, destacou.

Entre as realizações de 2019, Perrotta citou a sentença favorável na Justiça Federal que determinou a validade de Licença Prévia (LP) emitida pelo Ibama para o Reator. Ainda referente ao Ibama, houve a emissão de Licença de Instalação (LI) do RMB por parte daquele órgão ambiental. Isso garante permissão para inicio das obras de infraestrutura do RMB.

Outro ponto destacado por Perrotta foi a conclusão exitosa de convênio com a Finep para o desenvolvimento do combustível nuclear do RMB. Com isso,o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI) do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) foi preparado para fornecer UF6 enriquecido a 20% de forma contínua. No Centro de Combustível Nuclear (CECON) do IPEN/CNEN-SP foi implantada infraestrutura para atender à demanda anual do RMB de combustível nuclear e de alvos de urânio necessários para produção do molibdênio-99. O reator IPEN/MB-01 foi reformado, passando de núcleo de varetas para núcleo tipo placa. O CECON produziu 19 elementos combustíveis, idênticos aos do RMB, que serão usados neste novo núcleo. As equipes de operação do reator e do Centro de Engenharia Nuclear (CEENG) do IPEN/CNEN-SP elaboraram o Relatório de Análise de Segurança (RAS) e obtiveram a Licença de Operação (LO), por prazo de 10 anos, emitida pela DRS/CNEN. Estão previstos os testes para criticalidade inicial em fevereiro de 2020. Todas estas realizações foram resultado de esforço e tecnologia totalmente nacionais.

Os projetos de engenharia que envolvem o RMB também tiveram considerável evolução. O projeto detalhado do reator do RMB e das instalações associadas teve prosseguimento com a execução da empresa argentina INVAP e da brasileira AMAZUL, com participação de unidades da CNEN: IPEN, IEN e CDTN. Quase 6.000 documentos de engenharia já foram emitidos e analisados, estimando-se um total de 8.000 documentos a serem emitidos e analisados. Isso corresponde a um esforço de trabalho de mais de um milhão de homens/hora de engenharia.

Em 2019, o RMB também fortaleceu seu significativo respaldo junto aos centros decisórios do Governo Federal. O reator foi o tema principal do Grupo de Trabalho 4 (Expansão da Medicina Nuclear) do Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB), coordenado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. É neste fórum que discussões com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e outros ministérios são conduzidas para se alcançar a obtenção dos recursos, sustentabilidade e governança para o empreendimento. “Há um reconhecimento nacional e internacional de que o RMB terá um papel de alta relevância para a sociedade brasileira e também contribuirá de forma efetiva em nível global”, concluiu Perrotta.

O RMB é um empreendimento de alta complexidade, com custo estimado de U$ 500 milhões, que será construído e administrado pela CNEN. Uma de suas finalidades é a produção de radioisótopos, que são a base para os radiofármacos utilizados na Medicina Nuclear e na produção de fontes radioativas usadas em aplicações na indústria, na agricultura, no meio ambiente, entre outras áreas. O empreendimento está sendo coordenado pela Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD) da CNEN com a participação de seus institutos de pesquisa. A CNEN estabeleceu também parceria estratégica com o CTMSP e com a AMAZUL para implantação do empreendimento.

Com o RMB, o Brasil estará a caminho de se tornar autossuficiente na produção de radioisótopos. O país possui quatro reatores de pesquisa em funcionamento. A produção de radioisótopos ocorre principalmente no reator IEA-R1, instalado no IPEN. Esse reator, porém, não tem capacidade para produzir em escala o molibdênio-99, radioisótopo que dá origem ao radiofármaco tecnécio-99m, utilizado em mais de 80% dos cerca de 1,5 milhão de procedimentos de medicina nuclear realizados anualmente no país.

A CNEN importa atualmente todo o molibdênio-99 que utiliza para produção de radiofármacos. Em 2009, com a paralisação do reator canadense que era o principal fornecedor do Brasil, juntamente com a interrupção de funcionamento de reatores na Bélgica e na Holanda, houve uma crise mundial no fornecimento deste radioisótopo. O Brasil buscou alternativas de importação na Argentina e na África do Sul, mas a área de medicina nuclear nacional precisou adaptar-se a uma situação de crise no abastecimento.

A situação de desabastecimento criou a expectativa de buscar alternativas para garantir ao Brasil independência na produção dos radioisótopos utilizados na medicina. O RMB tornará isso possível. Além da produção de radioisótopos, o reator também tem como funções básicas a realização de testes de irradiação de combustíveis nucleares e materiais estruturais utilizados em reatores de potência, bem como a realização de pesquisas científicas com feixes de nêutrons em várias áreas do conhecimento. 

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